A subida da taxa Euribor tem aumentado o interesse no tema. Vive-se um período em que as taxas de juro sobem de mês para mês. E por isso, este é um assunto que levanta muitas questões e receios por quem tem empréstimos associados a esta taxa. 

A preocupação é maior para quem tem um crédito habitação, pois o impacto da subida dos juros é significativo nas prestações mensais e pode provocar desequilíbrios no orçamento das famílias.

Claro que, o foco principal é sempre até onde vai subir a taxa Euribor e a prestação do crédito habitação. O problema é que, neste momento, não existe uma bola de cristal capaz de responder a estas questões.

Por enquanto, ainda se espera uma subida gradual nos próximos tempos. Mas, para se perceber como proteger as finanças pessoais, é fundamental compreender o que é a Euribor, e como funciona. 

Tabela de Conteúdos

O que é a taxa Euribor?

Para muitas pessoas, a taxa Euribor não é desconhecida. No entanto, perceber o seu funcionamento pode ser um pouco confuso, afinal, qual é o seu significado, e o que influencia a subida ou descida?

Simplificando ao máximo, a Euribor não é uma taxa definida pelo Banco de Portugal, nem pelos bancos portugueses.

A Euribor é uma taxa de referência baseada na média dos juros praticados por um conjunto de 52 bancos da Zona Euro. Isto significa que, esta taxa reflete o que os bancos da União Europeia cobram para emprestarem dinheiro entre si sem garantias.

Toda esta ação é controlada pela Federação de Bancos Europeus. Mas é interessante salientar que, em Portugal, existe apenas um banco que integra o painel de bancos que têm influência sobre as taxas Euribor em cada prazo – a Caixa Geral de Depósitos.

Como a Euribor influencia a prestação do crédito à habitação?

Percebendo este ponto, existe outra questão importante de esclarecer. A taxa Euribor é o indexante mais comum do crédito habitação. Logo, quando junta a sua taxa Euribor ao seu spread, obtém o valor da sua TAN (Taxa Anual Nominal). 

Mas a taxa Euribor apenas é aplicada nos créditos que estão associados a uma taxa de juro variável. Se tem um crédito habitação com uma taxa variável, as flutuações da Euribor vão ter um impacto direto nas suas prestações mensais até ao fim do contrato.

Num crédito com uma taxa mista, esta só influencia a prestação de crédito após o período fixo acordado terminar.

Já se tiver um contrato associado a uma taxa fixa, as flutuações da Euribor não influenciam os seus encargos.

Como é calculada a Euribor?

Esta é outra das grandes dúvidas que paira sobre a taxa Euribor. O que é que influencia o cálculo desta taxa, e o que a leva a subir ou a descer?

O cálculo da Euribor pode parecer um pouco complexo à primeira vista. Afinal, estas contas são feitas com base em múltiplos exemplos reais, reportados pelos diversos bancos que realizam operações regulares nos mercados europeus. 

Depois destes dados serem comunicados, para determinar o valor da Euribor excluem-se 15% das taxas mais altas, e 15% das taxas mais baixas. Isto porque é preciso encontrar um valor médio justo para toda a Zona Euro.

Mas o que é que leva a Euribor a subir ou a descer? Por norma, a Euribor começa a subir ou a descer segundo a previsão de evolução dos juros definidos pelo Banco Central Europeu (BCE). Ou seja, o valor da Euribor acompanha os movimentos das taxas de referência que o BCE determina.

E se nos últimos anos, o banco central não mexeu nos juros, só em 2022, subiu por três vezes estas taxas de referência. O BCE esteve 11 anos sem aumentar estas taxas.

Para se ter uma ideia, em novembro de 2022, a taxa aplicável às principais operações de refinanciamento está nos 2%, sendo o valor mais alto desde julho de 2008. E é esta taxa que influência as taxas Euribor.

E porque é que as taxas de referência sobem? Porque têm o objetivo de equilibrar o mercado.

Quando há uma escalada da inflação, quando o aconselhável ronda os 2%, o Banco Central Europeu vê-se obrigado a agir.

A subida dos juros pretende travar a subida da inflação, e trazê-la para os valores considerados normais.

No contexto inverso, num período de crise económica e sem uma inflação elevada, os bancos centrais costumam descer as taxas de juro, precisamente para estimular o consumo.

Sabias que existem várias taxas Euribor?

Embora seja muito comum falar-se em taxa Euribor, é preciso perceber que existem várias taxas com maturidades diferentes: uma semana, um mês, três meses, seis meses, e doze meses.

Cada prazo é calculado com base na média dos empréstimos interbancários com a mesma maturidade.

No que diz respeito ao crédito habitação, as maturidades da Euribor mais comuns são a 3, 6 e 12 meses.

  • Quem opta por um crédito habitação indexado a uma taxa Euribor a 3 meses, tem a sua prestação mensal revista de três em três meses.
  • Se a opção for uma taxa Euribor a 6 meses, a prestação é revista semestralmente (duas vezes por ano).
  • Com uma taxa a 12 meses, existe apenas uma revisão por ano.

Como escolher o melhor prazo da Euribor?

Na verdade, não existe um prazo melhor ou pior para um crédito habitação. Isto porque, resumidamente, tudo irá depender da conjuntura que se vive no momento em que se contrata um empréstimo.

No entanto, é preciso ter em conta alguns fatores para tomar uma decisão ponderada. Através do Simulador de Crédito do KuantoKusta – ferramenta feita eme parceria com o Doutor Finanças, é possível testar várias condições e ter uma ideia melhor de qual a melhor solução.

Menor maturidade:

Por regra, no momento em que contrata um crédito, as taxas de mais curto prazo costumam ser mais baixas, especialmente em períodos de subida de juros.

Ou seja, num período de inflação elevada, um crédito que esteja indexado a uma Euribor a 3 meses beneficia de uma taxa Euribor mais baixa do que um empréstimo associado à Euribor a 12 meses.

Por outro lado, nas maturidades mais curtas, o valor da sua prestação de crédito irá responder mais rápido aos valores atuais da Euribor e sofrem alterações mais vezes ao longo do ano, e o mesmo se aplica nas descidas.

Maior maturidade:

Já na Euribor a 12 meses, a estabilidade anual é garantida. 

Contudo, num período de subidas de juros, uma atualização pode implicar um aumento significativo de um mês para o outro.

Há menos atualizações, e quando há podem ser maiores, no entanto, numa situação destas, haverá mais tempo para se preparar financeiramente para o aumento do encargo.

Qual o impacto da Euribor no meu crédito habitação?

Antes de contratar um crédito habitação deve olhar-se para a FINE (Ficha de Informação Normalizada Europeia), pois esta facilita a leitura de todas as condições do crédito, e até de cenário hipotéticos, como o da subida da Euribor para os valores mais elevados da história.

No entanto, não sendo possível prever até onde as taxas Euribor vão subir, deve assumir-se que que o crédito vai continuar a ficar mais caro.

DICA EXTRA: Para se ter uma ideia aproximada dos valores que se poderá pagar com taxas Euribor mais elevadas, pode consultar-se o simulador da variação da Euribor no crédito habitação.

Um exemplo prático:

Quem tem um crédito habitação que vai ser revisto em novembro de de 2022. Tem nessa altura um capital em dívida de 100.000 euros, e faltam liquidar 300 prestações.

Se o seu spread for de 1,1%, e tiver uma taxa Euribor a 12 meses, o valor a aplicar é de 2,233% (referente a setembro). Ou seja, teria uma TAN de 3,333% e uma prestação mensal de 491,71 euros. 

Se na próxima revisão, a taxa Euribor a 12 meses estiver nos 3,5% a sua prestação mensal passará para 561,52 euros. Ou seja, teria um aumento de 69,81 euros. 

A minha prestação está a subir, o que devo fazer?

Perante uma subida significativa da prestação de crédito, é aconselhável não ficar sem reação. Afinal, o seu orçamento familiar pode ficar em risco, uma vez que a sua taxa de esforço irá aumentar com a subida dos juros.

Assim, o primeiro passo é tentar renegociar o seu contrato de crédito habitação com o banco.

No caso da prestação do crédito à habitação subir, é possível:

  • Tentar baixar o spread (atualmente a maioria dos bancos praticam spreads entre 0,85% e 1%);
  • Remover produtos associados ao contrato;
  • Reduzir o valor do seguro de vida e seguro multirriscos ou transferi-los para outra entidade (pode haver penalização no spread por esta alteração, é necessário fazer contas e ver se compensa);
  • No caso de se ter uma poupança parada no banco, pode amortizar o crédito habitação para diminuir os encargos mensais. (atenção à comissão por reembolso antecipado);
  • Aumentar a maturidade do contrato, para descer a prestação mensal. Mas ter em conta que esta alteração aumentará o custo final a pagar pelo crédito;
  • Caso não seja possível obter as melhores condições junto do banco, existe a possibilidade de transferir o crédito habitação para outra entidade. Mas, antes de tomar esta decisão, deve analisar-se várias propostas até encontrar a melhor solução para cada situação particular.

Mais sobre transferência do crédito

Na maioria dos casos esta é uma alteração possível e que os bancos estão disponíveis a cobrir os encargos com a transferência. Se existirem dificuldades em avaliar as várias propostas, Há menos atualizações, e quando há podem ser maiores, no entanto,

Além de se usufruir de condições mais vantajosas, pode esclarecer-se todas as dúvidas e ter acompanhamento desde o início até ao fim do processo de transferência.

Deve simular-se vários cenários e assim preparar o orçamento familiar para lidar com possíveis aumentos. Neste ponto, é importante rever as condições do seu contrato, carteira de seguros, contratos de serviços e fazer ajustes ou cortes em produtos e serviços não essenciais.

Conhecer a história da Euribor pode ajudar a perceber o que aí vem

Não é a primeira vez que a Zona Euro enfrenta uma subida da Euribor.

Fazendo um apanhado da breve história da Euribor, esta taxa foi criada em 1999, juntamente com a criação do euro.

Para se ter uma noção dos valores da altura, a taxa Euribor a 6 meses tinha o valor de 3,233% e a taxa a 12 meses o valor de 3,213%. E num espaço de meio ano, a Euribor a 6 meses desceu para 2,597% e a 12 meses para 2,688%.

Como se pode ver, houve uma descida progressiva no primeiro semestre. Contudo, essa realidade iria mudar drasticamente. Em junho de 1999 as taxas Euribor começaram a subir progressivamente, e em 2000, as taxas Euribor a 6 e a 12 meses superaram os 5%.

Embora possa parecer um cenário assustador, este não se manteve por muito tempo. No final de 2000 as taxas começaram a descer, e houve uma descida progressiva até 2004.

A história repetiu-se em 2005 e as taxas Euribor voltaram a subir progressivamente até 2008, culminando nos valores históricos de 5,5%. 

Por detrás destas subidas e descidas, houve, na maioria dos caos, a perspetiva de atuação do BCE mexer nas taxas de referência.

Em 2008, as taxas Euribor iniciaram uma rota descendente, devido à crise financeira mundial que levou os bancos centrais a cortarem as taxas de juro um pouco em todo o mundo.

Em 2015, as taxas Euribor passaram a negociar em valores negativos, algo nunca antes visto.

Feitas as contas…

As estimativas apontam para que as taxas Euribor continuem a subir nos próximos tempos. Ainda que não se possa saber ao certo até onde vão subir, é possível antecipar cenários e atuar antes de haver um impacto significativo no orçamento familiar.

Independentemente da taxa que se tem associado a um empréstimo, o essencial é agir e tentar reduzir o impacto destas subidas de juros na estabilidade financeira.

Procurar o banco que concedeu o crédito ou procurar alternativas pode fazer toda a diferença no final do mês!

Mais sobre a importância da taxa Euribor:

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O Doutor Finanças nasceu para ajudar as famílias Portuguesas a negociar todos os seus produtos financeiros. Como intermediários de crédito, analisam, comparam e negoceiam as melhores propostas no mercado com a missão de assegurar a saúde financeira dos portugueses.

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